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Brasil é ouro com favoritos, estreante e revezamento no Mundial de natação paralímpica

porRedação BandSports
setembro 23, 2025
in Em Alta, Notícias
Brasil é ouro com favoritos, estreante e revezamento no Mundial de natação paralímpica

Brasil chegou a 19 medalhas na competição | Crédito: Divulgação/Wander Roberto/CPB

O Brasil conquistou sete medalhas — quatro ouros e três pratas — e chegou 19 pódios no Mundial de natação paralímpica em Singapura nas finais da manhã desta terça-feira, 23.

O terceiro dia de evento teve como destaques brasileiros tanto o primeiro título da estreante Beatriz Flausino, campeã nos 100m peito da classe SB14 (deficiência intelectual), como também conquistas de atletas que chegaram como favoritos em suas disputas, caso do tetracampeonato da pernambucana Carol Santiago, nos 50m livre da classe S12 (baixa visão), e do tricampeonato do mineiro Gabriel Araújo, ouro nos 100m costas da classe S2 (comprometimento físico-motor). Além disso, o Brasil ainda obteve o ouro no revezamento 4x50m medley 20 pontos, a última prova das finais desta terça-feira.

O Brasil ocupa a quarta colocação do quadro de medalhas, com seis ouros, oito pratas e cinco bronzes. O ranking é liderado pela China, que acumula 12 ouros, três pratas e dois bronzes, totalizando 17 medalhas. A seguir, vêm Itália (7 ouros, 7 pratas e 6 bronzes) e Grã-Bretanha (7 ouros, 6 pratas e 10 bronzes).

Dobradinha nos 100m peito SB14 feminino

O ouro de Beatriz nos 100m peito SB14 veio com tempo de 1min12s61. Ela foi seguida pela paranaense Débora Carneiro, que ficou com a medalha de prata, com 1min15s08. O bronze foi para a britânica Olivia Baronius (1min15s63). Na mesma prova, a paranaense Beatriz Carneiro, irmã de Débora, ficou na sexta colocação, com 1min17s22.

“Que emoção. Faz muito tempo que eu quero nadar para este tempo, para mostrar que realmente consigo fazer um minuto e 12 segundos. Não tenho palavras para a realização de um sonho, estou muito feliz. A estratégia para chegar a isso foi nadar por eu mesma, focar em mim e dar meu melhor. Só bastava eu acreditar em mim mesma. Eu entrei e falei ‘Bia, agora é com você, você pode’”, disse Beatriz Flausino.

A marca de Beatriz é o novo recorde das Américas da prova. O tempo registrado em Singapura é melhor do que os 1min13s69 feitos por ela em setembro, no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo, na Segunda Etapa Nacional do Circuito Paralímpico Loterias Caixa de Natação, recorde anterior da disputa.

Beatriz, 21, está em seu primeiro Mundial. Ela começou a nadar aos oito anos por orientação médica, para lidar com crises de bronquite e passou a competir em provas com atletas sem deficiência aos 10 anos. Em 2023, recebeu o diagnóstico de autismo e deficiência intelectual, entrando no Movimento Paralímpico em 2025. Sua primeira competição internacional foi o Grand Prix de Guadalajara, no México, no qual conquistou o índice estabelecido pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) para competir em Singapura.

Débora, medalhista de prata, voltou ao pódio dos 100m peito após ter vencido a prova no Mundial de Manchester em 2023. “Foi uma prova muito acirrada. Foi incrível. Eu sou a segunda do mundo, eu estou muito feliz. A medalha não é só minha, é de todo mundo”, comemorou Débora. “Agradeço a todos os que torceram por mim”, finalizou.

Tetracampeonato para Carol Santiago

Carol chegou ao tetracampeonato mundial nos 50m livre da classe S12 (baixa visão) com a marca de 27s29. A prata também foi brasileira, da paraense Lucilene Sousa, com 27s89. O bronze ficou com a japonesa Ayano Tsujiuchi (28s05).

“Esta é a minha prova favorita, na qual você não pode errar nada, precisa acordar rápido. Eu fico sempre feliz em trazer uma medalha de ouro para o Brasil e contribuir. Eu esperava um tempo um pouco melhor, mas fico feliz com o resultado e por fazer o hino tocar mais uma vez. É sempre uma emoção, é grandioso demais o sentido que tudo isso tem”, disse Carol.

No primeiro dia de competição, domingo, 21, a pernambucana já havia conquistado o ouro nos 100m costas S12. Carol ainda vai nadar os 100m livre S12, sua terceira prova individual em Singapura, nesta quinta-feira, 25.

Já Lucilene chegou à segunda medalha de prata. Na segunda-feira, 22, ela ficou na segunda colocação nos 100m borboleta.

Tricampeonato para Gabrielzinho

A plateia do OCBC Aquatic Centre aplaudiu com entusiasmo o primeiro ouro do mineiro Gabriel Araújo em Singapura. O atleta venceu os 100m costas S2 (comprometimento físico-motor) com tempo de 1min54s58, superando Vladimir Danilenko (2min02s29), que compete pelos Atletas Paralímpicos Neutros, e o polonês Jacek Czech (2min03s87).

“Eu me senti muito bem na prova. Dei meu máximo. Fiquei até meio emocionado com meu resultado. É uma prova que me deixa um pouco nervoso ainda, por já ter errado ela [em Tóquio 2020]. Mas, graças a Deus, estou muito concentrado e bem focado. A competição começou do jeito certo e fiquei bem perto do meu melhor da vida — que foi nos Jogos de Paris 2024”, afirmou Gabrielzinho. O atleta foi medalhista de prata na disputa nos Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020 e venceu a prova nos Jogos de Paris 2024, com 1min53s67.

Esta é a sétima medalha de Gabrielzinho em mundiais, a sétima de ouro. O atleta, que segue invicto em suas principais provas, incluindo as edições da Ilha da Madeira, em 2022, e Manchester, 2023, volta a nadar nesta quarta-feira, 24, desta vez nos 200m livre da classe S2.

O paulista Samuel Oliveira nadou os 50m borboleta da classe S5 (comprometimento físico-motor) em 31s98 e conquistou a prata em Singapura. O ouro foi para o chinês Jincheng Guo 31s28 e o bronze para o seu compatriota Weiyi Yuan (32s12).

Esta é a terceira medalha individual de Samuka, que já havia sido bronze nos 50m livre e nos 50m costas. Além disso, o nadador fez parte da equipe que obteve a prata no revezamento 4x50m livre 20 pontos.

Na mesma prova, o paulista Tiago Oliveira ficou na quinta colocação, com 33s88.

Ouro em equipe no fim do dia

Na última disputa desta manhã, o Brasil venceu o revezamento 4x50m medley 20 pontos, com equipe formada pelos paulistas Samuel Oliveira, Tiago Oliveira e Alessandra Oliveira e pela catarinense Mayara Petzold. Os brasileiros completaram a prova em 2min30s94, com Mayara suportando a pressão do atleta chinês Jincheng Guo nos metros finais.

A China ficou na segunda colocação, com 2min31s62 e os Estados Unidos em terceiro com 2min36s84.

“Foi incrível. A gente comentou: ‘vamos nadar forte e não olhar para ninguém, que a gente sobe no pódio’. Foi isso. Cada um entregou o melhor e o resultado veio. Estamos muito felizes, sem acreditar até agora. Eu não sabia nem se eu vinha, e ainda consegui um ouro para o Brasil”, analisou Tiago, ao fim da competição.

*Com Confederação Paralímpico Brasileiro

Tags: esportesMundial de NataçãoMundial de natação paralímpicanataçãonatação paralímpica

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