O Grande Prêmio de São Paulo da Fórmula 1 não é palco de velocidade apenas na pista. Logo após a execução do Hino Nacional antes da corrida, o show de adrenalina fica a cargo da Esquadrilha da Fumaça da Força Aérea Brasileira (FAB), que tradicionalmente faz manobras sobrevoando o Autódromo de Interlagos com os aviões A-29 Super Tucano.
A programação da passagem das aeronaves já está pronta para a prova deste domingo, 9, e exige um cuidado todo especial para que o resultado seja perfeito.
“O planejamento é bem intenso, porque São Paulo é uma região com tráfego aéreo muito intenso, então a gente tem que fazer diversas coordenações justamente para que não ocorram conflitos de tráfego aéreo”, explicou o capitão Marcílio em entrevista ao site do BandSports.
“A gente tem um ponto de espera onde os aviões ficam aguardando a uma certa distância do autódromo, obviamente é um tempo certo até a largada. Eu estarei aqui amanhã com um rádio em contato com os pilotos em voo, falando justamente esse esses tempos e movimentos. Temos um sistema na aeronave que facilita bastante a chegada no momento certo”, continuou.
E a preparação é toda sigilosa. O capitão não pôde revelar muitos detalhes sobre a apresentação deste ano, mas garantiu que uma surpresa está sendo trabalhada para impressionar o público.
“Eu posso falar que são no mínimo quatro aeronaves. Surpresa é surpresa, né. Estamos preparando alguma coisa, aeronaves diferentes, que não são talvez da Esquadrilha da Fumaça. Vamos aguardar, vamos ver o que que a gente preparou [para] amanhã”, disse ele.
Semelhanças com a F1
Assim como na F1, os pilotos da Esquadrilha da Fumaça passam por um treinamento físico exigente, principalmente para suportar a força G — uma unidade que indica quantas vezes a aceleração da gravidade terrestre está atuando em um corpo. Os pilotos da Esquadrilha da Fumaça enfrentam uma força de até 5Gs durante as manobras acrobáticas.
“Temos testes físicos corriqueiros e uma preparação para o suporte da força G. A força da gravidade atuando no corpo do piloto [da aeronave] é um pouco diferente da Fórmula 1. Na F1 ela é bem lateralizada, nas curvas em alta velocidade. Na nossa também tem a lateral, mas é muito mais vertical, a força positiva e a negativa, principalmente quando a gente tá no voo de cabeça para baixo. Tem um treinamento físico, mas por incrível que pareça o corpo vai se acostumando e passa a ser normal”, contou o capitão Marcílio.
Além do trabalho físico, uma roupa especial também é utilizada para auxiliar os pilotos no momento do voo, que pode chegar a 600km/h — quase o dobro atingido por um carro da F1 em uma reta.
“Voamos sempre com um equipamento chamado anti-G. Basicamente é uma veste que a gente coloca entre o abdômen e as pernas para que, em força G positiva, ela infle e faça com que o nosso sangue permaneça na maior parte do tempo do nosso tronco para cima”, explicou o capitão.






