Às vésperas da maior transformação técnica da Fórmula 1 em décadas, Esteban Ocon já antecipa que o desafio para os pilotos irá muito além de se adaptar a um carro diferente. Para o francês da Haas, a chegada dos novos motores híbridos e da aerodinâmica ativa vai exigir uma mudança profunda na forma de pilotar, a ponto de romper conceitos assimilados desde a base do automobilismo.
A temporada de 2026 marcará uma nova era na categoria, com unidades de potência V6 turbo ainda mais eletrificadas e sistemas que alteram o comportamento do carro ao longo de uma volta. Embora as opiniões iniciais tenham sido divididas entre os pilotos que experimentaram os modelos no simulador, a expectativa é de que as primeiras respostas concretas surjam apenas quando os carros forem à pista para os primeiros testes oficiais do ano.
“É uma forma muito particular de pilotar o carro. Vai haver muito mais gerenciamento do lado do motor e do lado híbrido”, disse Ocon no lançamento do novo modelo da Haas. “O carro em si pareceu muito bom. O equilíbrio estava decente, embora, claro, tenha sido nosso primeiro contato no simulador, então precisamos ver como será na realidade, mas o nível de aderência estava bom.”
Segundo o piloto francês, essa mudança não é apenas técnica, mas mental. A maneira de extrair tempo de volta deixará de seguir padrões tradicionais, abrindo espaço para um estilo de pilotagem quase inédito na F1.
“Claramente, a maior mudança vem do lado do motor, e isso será a chave para estarmos preparados. É um desafio empolgante, e é uma forma diferente de pilotar comparado ao que era antes. Acho que podemos esquecer tudo o que aprendemos desde o kart sobre como ser rápido, mas será interessante aprender um novo estilo de pilotagem e, com sorte, encontrar velocidade com ele”, analisou.
Com quase uma década de experiência na categoria, Ocon acredita que já viveu transições importantes o suficiente para lidar melhor com o momento atual. Ele estreou em testes na F1 ainda na era dos motores V8 e acompanhou de perto a introdução do sistema híbrido em 2014, o que lhe dá uma perspectiva ampla sobre ciclos de mudanças profundas.
“Esta é definitivamente a maior mudança de regras que já enfrentei”, disse. “A primeira vez que pilotei um carro de F1 foi na era dos V8, depois passamos para um sistema híbrido, em que pilotei um dia em Valência naquela época e fui para Abu Dhabi no TL1. Foi provavelmente uma mudança semelhante à que enfrentaremos agora, mas, como disse, precisamos esquecer tudo o que aconteceu antes.”
“Precisamos aprender tudo de novo, então acho que a experiência ajuda a se adaptar rapidamente, mas precisamos adaptar tudo. Todos os nossos sentidos, como sentimos, vamos precisar pensar muito mais enquanto pilotamos sobre o que fazer para ir mais rápido. É empolgante e vai ser interessante”, concluiu.






