A grande chance de o Brasil conquistar sua primeira medalha nos Jogos Olímpicos de Inverno está nas mãos de Lucas Pinheiro Braathen, do esqui alpino. O jovem, que é filho de pai norueguês e mãe brasileira, defenderá as cores verde e amarelo em Milão-Cortina, na Itália, e quer colocar seu nome na história do esporte brasileiro. Antes de competir oficialmente, Lucas contou como vem lidando com o favoritismo e a pressão externa para estar no pódio.
“Honestamente, a pressão é grandona. Representar mais de 200 milhões de brasileiros… Eu sou o atleta que tem essa chance, a oportunidade de trazer essa medalha e isso é uma responsabilidade que eu carrego todo dia, até o dia da minha competição mesmo”, disse o esquiador. “Agora, essa pressão é um privilégio. É um estado de pressão que você pode realizar no seu potencial mais alto e, nesse estado, você pode brilhar. Então, eu abraço essa pressão. Tento canalizar toda essa energia de alta frequência para a minha performance.”
Além da emoção de competir pelo Brasil, Lucas foi escolhido para ser o porta-bandeira do País na Cerimônia de Abertura, no estádio San Siro, em Milão. O esquiador se emocionou com a oportunidade e se surpreendeu com a animação do estádio quando a delegação brasileira entrou.
“Foi uma honra imensa abrir os Jogos Olímpicos no San Siro carregando as nossas cores, nossa bandeira, e compartilhando essa jornada, essa experiência, com o povo brasileiro. Esse é o maior sonho da minha vida e eu sou muito grato por todo mundo que está torcendo por mim, torcendo pelo Brasil, acompanhando nossa jornada”, falou ele. “Para mim, parece que é minha primeira Olimpíada. Eu estou tentando canalizar todos os momentos dessa jornada, que mais parece uma montanha-russa, para uma das maiores corridas da minha vida.”
Prova de esqui alpino
O brasileiro ainda falou sobre a pista de Cortina, palco das provas, e explicou que o trajeto é mais lento, o que exige cuidado redobrado com a velocidade. O esquiador também comentou a preparação para a competição.
“Honestamente, não é uma pista muito conhecida para os atletas que estão competindo nas categorias técnicas. Essa é uma pista para as categorias downhill e super-G. Então é uma coisa meio nova para todo mundo competindo nas categorias técnicas. É uma pista um pouco mais fácil do que as que a gente está competindo na Copa do Mundo”, explicou ele, que compete nos próximos dias 14 e 16.
“Mas, são nas pistas um pouco mais fáceis que é ainda mais difícil ser rápido. Então a gente sempre fala que isso é uma arte dentro do nosso esporte: conseguir achar velocidade nas pistas que não são tão difíceis como as da Copa do Mundo. Eu vou abraçar essa pista com todo o amor que eu tenho, com velocidade, com energia, e vou trazer isso para a minha performance”, acrescentou.
Representante do Brasil
Com forte ligação com o Brasil, o atleta nascido na Noruega optou por representar o país da mãe nos Jogos Olímpicos de 2026 e diz viver um momento especial desde então. Lucas quer que sua atuação tenha um impacto fora do esporte.
“Eu tenho a oportunidade de trazer uma mudança. E o que eu acho muito especial é participar com as nossas cores. Do jeito que a gente está chegando em Milão agora, já é uma vitória para o Brasil”, explicou o atleta.
“Eu só quero o povo de casa assistindo, olhando as nossas cores nos Jogos Olímpicos de Inverno e realmente entendendo que tudo é possível. Que não importa de onde você é, suas roupas, seu sotaque… O que importa é o que está por dentro. Tudo que acontece para fora, simplesmente só é um resultado disso”, finalizou.






