O Brasileirão voltou, finalmente, mas 90 minutos de futebol foram suficientes para colocar treinadores sob uma pressão que estava arrefecida por causa da Data Fifa. Falo de Dorival Júnior no Corinthians e Roger Machado no São Paulo.
O Corinthians foi derrotado pelo Fluminense no Maracanã, em partida que, em nenhum momento, deu qualquer sinal de que poderia conseguir um placar diferente do que aconteceu. O Fluminense passeou em campo, venceu todos os duelos e fez um consistente 3 a 1.
Dorival Júnior chega ao seu oitavo jogo sem vitória, recorde negativo na carreira do treinador, como ele mesmo declarou após a partida.
Perguntado ao final do jogo sobre o prestígio que acumulou por ter conquistado dois títulos recentemente pelo clube, a resposta foi clara: ele não trabalha baseado no que fez, mas no que precisa fazer. Em outras palavras, ele mesmo percebeu que as conquistas não terão peso para mantê-lo no cargo se a vitória não vier já na próxima rodada contra o Internacional.
No Beira-Rio, o São Paulo conseguiu um empate contra o Inter, e esta é talvez a única notícia boa da noite. O time fez um primeiro tempo muito ruim e boa parte do segundo tempo também. Melhorou na parte final, quando o Colorado sentou no placar de 1 a 0 e passou apenas a se defender. Na base do abafa e de 40 cruzamentos na área, uma hora o Tricolor conseguiu o empate, com Calleri.
O que pesa para Roger Machado é que ele já chegou com enorme resistência devido ao bom trabalho de seu antecessor, Hernán Crespo. Mas o treinador resolveu dobrar a aposta e eliminar qualquer base que foi deixada. O “novo” São Paulo isolou seu melhor jogador no lado esquerdo do campo, Marcos Antônio. O futebol daquele que até ontem era o melhor atleta do elenco evaporou. Deu algum lampejo quando, nas
substituições, ele passou a jogar mais centralizado. O mesmo ocorreu com Cauly: entrou deslocado do lado esquerdo e melhorou quando foi para o meio.
Fato é que o time melhorou mesmo quando Roger colocou um ponta de cada lado (Ferreirinha e Arthur). Assim, chegou ao empate.
O treinador, depois do jogo, gostou do que viu e deve triplicar a aposta, escalando mais vezes pontas abertos. O problema é que vai sobrar jogador bom no banco com esse novo esquema. É isso o que parte da torcida rechaça.
Dois treinadores com tempos de trabalho diferentes, mas com desconfianças parecidas.
*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do BandSports.






