Roger Federer não economizou elogios ao analisar o momento e o potencial do brasileiro João Fonseca. Às vésperas do início do Australian Open, o suíço destacou que o jovem de 19 anos reúne potência rara e talento evidente, mas que o próximo passo em sua evolução passa por algo que vai além da força dos golpes: paciência e leitura de jogo.
Para o ex-número 1 do mundo, Fonseca ainda está no processo de aprender quando acelerar e quando controlar os pontos. Um ajuste que, segundo ele, pode liberar todo o potencial do brasileiro.
“O João é um pouco parecido comigo, e também com o Jannik (Sinner), no sentido de que ele precisa de um pouco mais de tempo para saber quando recuar e quando disparar os golpes; uma vez que ele entenda isso, o céu é o limite”, disse o suíço em Melbourne.
Federer também explicou o que, em sua visão, torna Fonseca um jogador especial em meio a tantos talentos da nova geração. “O que o diferencia de muitos outros jogadores é a sua potência — forehand, backhand, saque — e o que ele consegue apresentar ponto a ponto. É realmente impressionante de se ver”, analisou o campeão de 20 Grand Slams.
O vínculo entre os dois não é recente. Federer apostou em Fonseca ainda em 2023, quando o brasileiro tinha apenas 17 anos e estava longe do reconhecimento atual. Naquele período, a On Running, empresa de roupas esportivas da qual o suíço é proprietário, passou a patrocinar o jovem carioca. Meses depois, Fonseca confirmou a aposta ao conquistar o US Open juvenil e encerrar a temporada como o número 1 do mundo na categoria.
A confiança de Federer vai além do presente e aponta para ambições maiores no circuito profissional. “Acredito sinceramente que ele é um dos caras que podem competir pelas maiores vitórias”, disse Federer. “João é empolgante. Ele tem uma aura boa. É uma pessoa muito simpática”, acrescentou.
Questionado sobre a possibilidade de treinar o brasileiro no futuro, Federer não descartou completamente a ideia, ainda que tenha adotado cautela. “Nunca diga nunca! Embora eu esteja muito ocupado — tenho quatro filhos — então, por enquanto, não há chance. Mas (Stefan) Edberg costumava dizer o mesmo”, disse ele, lembrando o sueco que integrou sua equipe técnica entre 2014 e 2015.






