Os Jogos Pan-Americanos Júnior de Assunção, no Paraguai, têm colocado a nova geração do esporte brasileiro em evidência. No quadro geral de medalhas, o Brasil lidera com folga, mas é no tatame que o País tem mostrado um domínio absoluto.
A seleção de judô protagonizou uma campanha impecável na capital paraguaia. Dos 14 ouros em disputa no individual, os judocas brasileiros conquistaram 11, além de uma prata e dois bronzes. Todos os 14 atletas da equipe subiram ao pódio, resultado de vitórias expressivas sobre adversários tradicionais como Colômbia, Equador, Estados Unidos e Cuba. O Brasil esteve presente em 12 das 14 finais, convertendo quase todas em títulos, com um aproveitamento impressionante nas lutas decisivas.
Essa supremacia não apenas assegurou a liderança isolada no quadro de medalhas, como também reafirmou a vantagem técnica e tática da escola brasileira de judô em relação aos outros 20 países participantes. Para especialistas, o desempenho é fruto de um trabalho consistente, conduzido com profissionalismo por professores, treinadores, atletas e pela direção técnica da Confederação Brasileira de Judô (CBJ).
Sergio Schildt, presidente da Recoma, empresa responsável pelo tatame oficial da CBJ e dos tatames de padrão olímpico e paralímpico utilizados na competição, que são os mesmos dos Jogos do Rio-2016, de Tóquio-2020, de Paris-2024 e de Los Angeles-2028, destacou o peso desse resultado para a modalidade.
“Ver o judô brasileiro conquistar resultados tão expressivos em um evento continental reforça a importância de oferecer condições de treino e competição com o mais alto padrão técnico. Nosso trabalho é garantir que atletas de ponta possam desempenhar seu melhor judô, com segurança e performance, em qualquer nível de disputa”, afirmou Schildt.
“Este resultado expressivo nos Jogos Pan-Americanos Júnior não é por acaso. O Brasil, nos últimos anos, tem melhorado significativamente no sentido de oferecer às melhores condições de prática esportiva aos atletas. Este é um dos motivos, claro, mas não o único. Para os judocas brasileiros, por exemplo, treinar nos mesmos tatames dos Jogos Olímpicos, ou de outros países internacionais e que são referência, é um diferencial imenso para o início da trajetória”, afirma Rafael Silva, o Baby, atleta mais longevo do judô brasileiro, convocado o maior número de vezes para representar o Brasil, e que também é embaixador da Recoma.
Além da excelência técnica, o sucesso é também resultado de investimentos estratégicos na base. Paulo Maciel, presidente do Comitê Brasileiro de Clubes (CBC), ressaltou o papel dos clubes formadores no desenvolvimento do judô nacional. “Grande parte desses atletas que hoje brilham no Pan Júnior iniciou a trajetória dentro da estrutura de clubes apoiados pelo CBC. Investimos em equipamentos, infraestrutura e formação de técnicos para que os jovens talentos tenham o suporte necessário desde o início. Essa vitória é coletiva e começa muito antes de subir no tatame”, pontuou.
Dos 14 atletas judocas que estiveram representando o Time Brasil, todos eles são formados por clubes e são apoiados pelo CBC, que vai desde auxílio com passagens aéreas até infraestrutura. Com a competição ainda em andamento, o judô brasileiro graças ao apoio das entidades responsáveis, já garantiu seu lugar como uma das maiores potências do continente, reforçando que, no país do futebol, o tatame também é terreno de campeões.






