O sonho de uma segunda medalha para o Brasil com Lucas Pinheiro Braathen nos Jogos de Inverno de Milão-Cortina-2026 chegou ao fim na manhã desta segunda-feira, 16. Sob condições climáticas bastante complicadas, o brasileiro sofreu uma queda em sua primeira descida do slalom e ficou fora da briga pelo pódio no slalom.
O campeão olímpico do slalom gigante foi o sexto atleta a descer – diferentemente da prova do último sábado, 14, quando abriu a pista. Após iniciar a descida com tempo acima do líder, o norueguês Atle Lie McGrath, Lucas foi conseguindo melhorar suas parciais com uma abordagem agressiva e tudo indicava que ele passaria com facilidade para a final. No entanto, quando já chegava à metade do percurso, ele perdeu aderência com a neve, escorreu e foi ao chão, não conseguindo completar a prova e sendo eliminado da disputa.
“A visibilidade é difícil. Você não tem ajuda da visibilidade para ler a textura e o terreno da neve, e aí você precisa se conectar com o seu coração e esquiar com intuição. Realmente eu consegui isso na metade da corrida, [mas] quando eu cheguei nessa parte, eu tentava puxar e criar toda a velocidade e eu deixei a disciplina em casa, não estava determinado na técnica, só estava esquiando com intensidade”, explicou Lucas em entrevista ao Sportv.
A neve castigou tanto a pista em Bormio que dos 96 atletas que entraram na disputa apenas 44 se credenciaram para fazer a segunda e decisiva descida. Cinquenta deles não conseguiram concluir a prova em virtude de alguma penalidade por perda de portas ou quedas, e dois foram desclassificados.
“Esse é o nível mais alto, esse é o esqui alpino. Um esporte muito complexo, com muitos fatores. A gente está competindo com a natureza, com clima, neve, sol, tudo. Acordo todo dia treinando para ficar preparado para tudo. Estava preparado para isso também.”
Feito histórico
Mesmo não conseguindo brigar por mais uma medalha, Lucas já havia feito história para o esporte brasileiro no sábado, 14, ao se tornar o primeiro campeão olímpico do Brasil e da América Latina nos Jogos de Inverno com o ouro na prova do slalom gigante.
“Eu e o Brasil não estávamos aqui nos Jogos Olímpicos de Inverno só para participar. Estávamos aqui para fazer a diferença, trazer nossas cores, outra mentalidade, outra cultura e celebrar essa diversidade do Brasil e do esporte. Acho que esse ouro representa a força que existe nessa diversidade, algo que eu quero trazer ainda mais para o esporte”, falou o esquiador.
“Vejo que a gente tem vários atletas brasileiros que provavelmente vão crescendo a cada ano, isso é algo muito lindo. E tudo isso representa meu propósito na vida, o de fazer a diferença e inspirar outros para terem coragem de seguir seus sonhos”, finalizou Lucas, que parou a entrevista para ver a descida de Giovanni Ongaro e aplaudiu muito o colega de equipe que completou a primeira descida.
Nascido em Oslo e filho de mãe brasileira e pai norueguês, Lucas optou por defender as cores do Brasil a partir de maio de 2024, após ter enfrentado problemas burocráticos com a federação da Noruega e chegado a anunciar a aposentadoria precoce em 2023.
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