O Comitê Olímpico do Brasil (COB) criou uma premiação dentro do Prêmio Brasil Olímpico (PBO): a Medalha Vanderlei Cordeiro de Lima, honraria esportiva-humanitária que celebra gestos de espírito olímpico, ética e humanidade no esporte. Os primeiros homenageados serão os atletas do quatro sem, da equipe de remo, que conquistaram um bronze histórico nos Jogos Pan-americanos de Assunção-2025, mesmo após perderem um remo durante a prova. A entrega da medalha acontecerá durante o PBO 2025, no próximo dia 11, na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro.
“Ninguém melhor que o Vanderlei para dar nome a este prêmio, um atleta que deu um grande exemplo de valores olímpicos na sua carreira. Com esta honraria, o COB reafirma seu compromisso com o que vai além das medalhas e dos recordes, celebramos atitudes que unem ética, humanidade e esportividade. E, assim, inspiram gerações e reforçam o papel transformador do esporte na sociedade”, afirmou Marco La Porta, presidente do COB.
A honraria recebe o nome do medalhista de bronze na maratona dos Jogos Olímpicos de Atenas-2004. Na ocasião, Vanderlei foi atacado por um fanático quando liderava a disputa e, mesmo muito prejudicado, o brasileiro seguiu na prova e conquistou a medalha de bronze, sendo ovacionado na chegada ao estádio Panathenaico ao fazer o aviãozinho e mandar beijos aos torcedores.
“Fiquei surpreso, mas muito feliz pela escolha do meu nome em um prêmio dessa importância. Uma honraria que reforça a importância dos valores olímpicos, do fair play, e que enaltece ainda mais a minha história. Jamais imaginei que poderia receber tamanha honraria. Sou muito grato por tudo, mais uma vez, ao Comitê Olímpico do Brasil e também à ferramenta do esporte, por ter transformado a minha vida em todos os sentidos”, disse Vanderlei.
Assim como a medalha Pierre de Coubertin, criada pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) e recebida por Vanderlei após os Jogos de Atenas, a honraria brasileira surge para homenagear atletas e personalidades do esporte após demonstrações de grande espírito olímpico. Como foi o caso dos atletas do quatro sem no Pan-Americano Júnior de Assunção, que conquistaram um bronze heroico mesmo com o remo quebrado.
A premiação não está necessariamente ligada ao desempenho atlético ou à vitória em uma prova, mas sim ao reconhecimento pelos atos de esportividade exemplar e humanidade. Ela reconhece a integridade, respeito pelos adversários e pelas regras, e a demonstração de valores como solidariedade, ética e perseverança em situações desafiadoras ou adversas.
Bronze histórico
Em uma verdadeira demonstração de superação e espírito olímpico, os remadores brasileiros garantiram a medalha de bronze no quatro sem masculino nos Jogos Pan-Americanos Júnior de Assunção-2025. A equipe formada por Andrei Jessé, Diogo Volkmann, Kayki Rocha e Miguel Marques chegou na terceira colocação, com 6min32s41, mesmo depois de um problema na forqueta, peça que sustenta o remo, de Miguel.
Desde a largada, Brasil e Chile assumiram a dianteira, enquanto a Argentina se aproximou logo depois. O quarteto brasileiro vinha reagindo quando, a aproximadamente 300 metros do fim, a forqueta se soltou.
“Foi uma prova muito sofrida. Sabíamos que poderíamos ter ido melhor e colocado o Brasil no primeiro lugar do pódio, mas infelizmente aconteceu o que aconteceu. Mesmo diante da adversidade, conseguimos manter o foco e ainda terminar a prova com a terceira colocação. Isso mostra o quanto estávamos focados e o quanto nos dedicamos para representar o Brasil. Estou muito feliz em receber esse prêmio e sei que vai ser mais um combustível para, no futuro, conquistar ainda mais”, falou Diogo.
Para Miguel, o empenho da equipe fez com que o sabor da medalha fosse dourado e receber a honraria com o nome de Vanderlei coroa ainda mais a conquista. “É um privilégio ser um dos primeiros homenageados pela medalha Vanderlei Cordeiro de Lima, atleta que é uma das maiores referências de superação no esporte”, disse Miguel Marques.
A premiação será entregue durante o Prêmio Brasil Olímpico no próximo dia 11, na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro.
*Com Comitê Olímpico do Brasil






