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O dia em que o pôr do sol não encontrou obstáculos no Rally Dakar

porCelso Miranda
janeiro 15, 2026
in Automobilismo
O dia em que o pôr do sol não encontrou obstáculos no Rally Dakar

Platô na região de Bisha impressiona em sua falta de subidas e descidas | Crédito: Celso Miranda

No Brasil, há sempre um morro para recortar o pôr do sol. Fotos, vídeos, selfies e um contato direto com a nostalgia ou nossa submissão ao infinito estão naquele portal. Algo que nos transporta para além dos morros. Aqui, na Arábia Saudita, hoje na região mais ao sul, em Bisha, o platô é impressionante em sua falta de subidas e descidas. Tudo plano, com areia a perder de vista. Ou até nosso olhar tropeçar em uma das montanhas que parecem irromper do chão. Elas parecem ter sido cuspidas pela terra, como se ali embaixo as rochas se sentissem presas e, num rompante de expressão — ou terremoto — invadissem o horizonte.

São majestosas essas montanhas. E, nos pedaços delas que se espalham entre os planos arenosos, cristais de quartzo nos maravilham pela brancura e pela quantidade. Uma dessas montanhas está aqui ao lado do acampamento deste Dakar 2026. Al-Sayra Al-Bayda é seu nome (Monte Branco, em português). Imponente, majestoso e, mesmo assim, convidativo para uma escalada que, dizem os locais, é até fácil de fazer, mesmo sem camelo ou um 4×4. A caminhada, garantem, se faz em menos de uma hora. De lá, o pôr do sol não encontra obstáculos para ser admirado.

Daqui de baixo, onde covardemente permaneci, observo os atletas e turistas que parecem formiguinhas. Eles assistem ao sol se pôr, e eu também. Daqui de baixo, um horizonte distante se torna amarelo, laranja, vermelho e todas as cores depois, até que a noite da décima etapa do Dakar se encerre.

Atletas e turistas viram “formiguinhas” no alto do monte | Crédito: Celso Miranda

Atrás dos trailers, de frente para máquinas necessitadas de toda atenção, mecânicos, engenheiros e pilotos se dedicam a renovar as esperanças de largar para a especial número 11 da prova. A contagem regressiva já começou. A próxima parada será em Al Henakiyah, e as pedras brancas daqui vão se juntar a todo o espectro possível das rochas ígneas. Basaltos e granitos prontos para furar pneus, estilhaçar paralamas, confundir navegadores e derrubar pilotos de motos também.

Carros e motos se juntam mais uma vez para, um por um, entrar na trilha que terá 882 km de distância, sendo 347 km de especial cronometrada. Além do piso, o grande número de cruzamentos de estradas de areia, junções e bifurcações pode confundir um bocado. Foco, foco e concentração é o que se pede.

Hoje, em Bisha, o vencedor das motos do ano passado, o australiano Daniel Sanders, estacionou a moto número um da equipe KTM e agradeceu por ter chegado ao fim da etapa. Ele caiu durante o dia, machucou o ombro e teve de fazer uma visita ao hospital local. Está liberado para seguir na prova, na qual agora ocupa a quarta colocação.

O líder da prova é o estadunidense Ricky Brabec, que teve a atitude de um verdadeiro desportista dakariano: ao ver a queda de Sanders, parou para ajudar e saber como ele estava. Sua empatia foi compensada pelo desconto do tempo que passou atendendo ao companheiro de “aventura”. Com isso e seu desempenho, Brabec ficou em segundo no dia e assumiu a liderança do Dakar.

O francês Adrien Van Beveren foi o vencedor do dia, que viu ainda uma bela recuperação de Luciano Benavides, terceiro ao chegar em Bisha, retornando ao P2 na geral, com o vencedor do Sertões 2025, Tosha Schareina, em terceiro.

Nos carros, o sobe e desce continua. O ganhador do dia foi o francês Mathieu Serradori, ao lado do navegador Loïc Minaudier. Em segundo, mais um excelente trabalho do catariano Nasser Al-Attiyah, que voltou a ser o líder na geral. Sébastien Loeb foi o terceiro, e Lucas Moraes, o quarto. O brasileiro, mais uma vez, liderou boa parte da especial, mas ainda não encaixou perfeitamente a velocidade com a navegação. Segue em oitavo na geral.

Henk Lategan, que teve o carro reconstruído algumas vezes neste Dakar por sua equipe Overdrive, está em segundo na geral, com Nani Roma em terceiro. Nasser comanda a entrada na região das pedras com 12 segundos de vantagem sobre seus adversários.

Ao final da décima primeira especial, o cristal de quartzo que ganhei do meu novo amigo Nawaf, que trabalha na segurança do Bivouac, vai estar comigo para contar aqui quem seguirá a caminho de Yanbu com mais chances de vencer este Dakar 2026.

Um lindo pôr do sol pra vocês aí em casa.

Pôr do sol belíssimo encerrou o 10º dia de provas no Dakar | Crédito: Celso Miranda

*O jornalista Celso Miranda viajou a convite da organização do Rally Dakar.

Tags: AutomobilismoCelso MirandaDakar 2026esportesRallyRally Dakar

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