O carro capotou de frente numa duna de areia. Deserto de Wadi Ad Dawasir, Arábia Saudita. Quebrou para-brisas, suspensão dianteira entortou… piloto e navegador estão bem. Ufa!
Acelerar em areia já rendeu imagens emocionantes em muitos lugares. Num deserto, no Dakar, o jogo pouco tem a ver com buscar emoção. Isso é algo técnico, é jogo duro, é coisa séria.
Marcos Moraes é piloto experiente. Gentleman driver consagrado desde o tempo em que pilotava motos, deu nova vida ao Rally dos Sertões. Nesta edição do Dakar, o susto foi grande, numa duna que não permitia uma leitura perfeita. Tanto que o Toyota 237 capotou ao lado de outra vítima daquele traçado, na oitava especial da prova. Ele e seu navegador, Fabio Pedroso, escaparam sem qualquer arranhão, apesar da gravidade do acidente.
Sem conseguir voltar para a prova, mesmo com a ajuda do caminhão-oficina da equipe e os conhecimentos técnicos da dupla, eles tiveram de abandonar a especial e aguardam o empenho dos mecânicos para seguir na disputa.
Do outro lado da tabela, os times oficiais Toyota, Ford e Dacia seguem numa disputa cada vez mais acirrada. Numa especial de 487 km, a diferença do primeiro para o segundo colocado foi de apenas três segundos. Lindo de ver. Mesmo que seja pelo site dakar.live, sem imagens da prova. A cada ponto de cronometragem, separados por algo em torno de 40 km, a gente acompanha os tempos obtidos e as diferenças.
Rally é contra o relógio, contra os terrenos, contra os próprios limites de técnica de pilotagem e limites psicológicos. Dobradinha sul-africana, com essa diferença mínima a favor do piloto de 21 anos, Saood Variawa. A segunda vitória dele em especiais do Dakar. Em segundo, Henk Lategan, que se redimiu dos problemas técnicos de ontem e se colocou a apenas seis minutos do ainda líder, o catariano Nasser Al-Attiyah, que foi o quinto na etapa. O segundo da classificação geral é o sueco Mattias Ekström, com 4 minutos de desvantagem. Um pega pra lá de acirrado!
O brasileiro Lucas Moraes, da Dacia, teve mais um dia de problemas de navegação e pneu furado, mas saiu com uma boa avaliação:
“O bom foi que meus tempos estão no mesmo nível dos vencedores da prova. Claro que fico frustrado por um lado, mas estou contente porque estou entendendo melhor o ritmo do carro e andando cada vez mais rápido.”
Lucas ficou em P16 na especial e mantém o P9 na geral. Amanhã sai mais atrás no “ioiô” da fila de pilotos que entram na prova.
Nesta terça-feira, a nova etapa é caminho da segunda maratona do Dakar 2026. Os pilotos saem do acampamento em Wadi Ad Dawasir e param no meio do caminho, no deserto, em direção a Bisha. Sem atendimento das equipes, eles vão dormir em barracas, como nós da imprensa estamos fazendo por aqui desde o dia 31 de dezembro. Sofremos? Mas gostamos de aprender. Vou esperar a trupe de pilotos no deserto e conferir o que acontece. Nos falamos depois.
PS: Nas motos, o trio que briga pela vitória é o mesmo. O argentino Luciano Benavides venceu hoje e passou a liderar a prova, apenas dez segundos à frente do australiano Daniel Sanders. Ricky Brabec é o terceiro, com quatro minutos e quarenta e sete segundos de desvantagem do novo líder. Que Messi que nada… Luciano para a Selección!
*O jornalista Celso Miranda viajou a convite da organização do Rally Dakar.






