O último capítulo da passagem de Roger Machado no comando do São Paulo terminou na madrugada de quarta para quinta-feira de forma angustiante.
O time em campo fez outra partida abaixo da crítica e acabou eliminado da Copa do Brasil após sofrer três gols de cabeça, o último deles nos minutos finais do jogo. Ainda teve uma expulsão irresponsável de um dos jogadores simbólicos da forma que o treinador entende o jogo: o ponta Ferreirinha.
A angústia do torcedor entrou madrugada adentro porque o anúncio da demissão só veio horas depois de uma reunião a portas fechadas entre dirigentes do clube, assessores do treinador e o próprio Roger.
O anúncio foi feito por Rui Costa, homem forte remunerado do futebol do São Paulo e o grande arquiteto da chegada de Roger ao São Paulo. Ao seu lado o gerente Rafinha, que não falou uma palavra sequer, mas também ajudou a costurar a saída de Hernán Crespo, treinador que havia colocado o time na liderança do Campeonato Brasileiro e “ousou” falar que a meta do ano era fazer 45 pontos.
Enquanto esta coluna é escrita Rui Costa e Rafinha seguem nos seus cargos. Enquanto você a lê, eles já podem ter sido demitidos também.
A saída de cena de Roger, algo exigido pela torcida do São Paulo desde o dia em que pisou no Morumbi, não alivia em nada a tal angústia do torcedor.
No horizonte são-paulino não existe nada além da certeza de que quem comanda a instituição não pode estar no poder e, mais ainda, de que este sistema político está morto e enterrado. E a angústia tricolor aumenta ao saber que não há praticamente nada sendo feito para virar a chave.
As iniciativas ou desejos ainda insípidos de SAF ou reforma estatutária são, por enquanto, apenas isso mesmo: desejos que carecem de qualquer base sólida. O mais provável é acomodar as coisas para que tudo siga como está.
Dois dias antes da demissão de Roger, o presidente do clube Harry Massis teve um áudio vazado em que ele diz que não demitiria o treinador por falta de dinheiro para a multa contratual.
Pois o time perdeu a classificação, perdeu a premiação de cerca de R$ 3 milhões e agora terá de pagar mais uma multa contratual para um treinador. Só isso é o suficiente para entender a angústia e o desalento do torcedor são-paulino.
A hora é de voltar ao começo e relembrar a frase de Crespo: “A meta é fazer 45 pontos”.
*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do BandSports.




