Em jogos, sobretudo na América do Sul, está instituída a parada para reidratação. Entre os 20 e 25 minutos de cada tempo, o jogo para e os jogadores vão para a beira do campo beber água e isotônicos e, mais importante, ouvir orientações de seus treinadores.
Evidentemente estamos falando de uma nova janela comercial para as partidas de futebol, buscando adaptação aos tempos de publicidade em qualquer buraco possível. No Brasil já existe a publicidade que diminui a tela do jogo e a divide com alguma marca. Lances importantes já surgiram nesses momentos, claro, mas ninguém se importa porque afinal a grana precisa entrar. E faz sentido.
Voltando à parada para reidratação. Já vimos bizarrices como reidratação em dias de frio e chuva, evidenciando mais uma vez que estamos falando de uma questão comercial muito mais à frente do que de saúde ou tática.
Mas é preciso reconhecer que essas paradas têm trazido um novo olhar para o jogo. Microfones captam o que se passa enquanto os jogadores estão à beira do campo e dessas conversas têm saído coisas interessantes, que ajudam o torcedor comum a entrar em um mundo secreto do futebol: o que acontece nas entranhas de um grupo.
Neste ambiente já vimos Fernando Diniz, por exemplo, dizer “continua tentando, Arrisca, Coragem! Se errar, f…se", que basicamente é um resumo de como o treinador enxerga o jogo. Ele exige que seus jogadores tenham coragem, ousadia, sem receio de julgamentos ou do que pode acontecer.
Roger Machado recentemente foi na mesma linha em uma parada técnica e disse algo como “o errado é não tentar. Continua tentando!”.
Nesta quarta-feira, o Fluminense perdia para o Independiente Rivadavia quando rolou a parada técnica e Luiz Zubeldía falou para seus jogadores “sem baixar a cabeça!". O jogo já caminhava para seu final e o Flu conseguiu a duras penas empatar no final.
Também é possível ver outras relações nessas paradas no meio do jogo. Treinadores que simplesmente não conseguem prender a atenção dos comandados, por exemplo. Cada um faz uma coisa, bebe água, ajeita o meião, conversa com companheiros enquanto o comandante tenta falar.
E também têm as tretas internas expostas, como em um autêntico Big Brother. No último jogo do Santos, Neymar discutiu asperamente com um companheiro sobre posicionamento em campo enquanto Cuca tentava acalmar Gabigol, que se mostrava irritado com outro tema.
Coisas do futebol, costumam dizer treinadores e jogadores. Para o torcedor, têm sido uma novidade apetitosa, em que pese parar o jogo no meio, o que para os veteranos como eu é quase um sacrilégio.
*Por Eduardo Tironi
*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do BandSports.




