Se Carlos Drummond de Andrade fosse árabe, ou tivesse ao menos conhecido a região de Al Ula, na Arábia Saudita, teria escrito “um bilhão de pedras no caminho” em um de seus poemas mais famosos.
O Rally Dakar está em sua sétima edição neste país e já visitou as montanhas daqui outras vezes. Todos os pilotos sabem que o terreno é formado por pedras pontiagudas, onde o risco de pneu furado ou cortado é alto.
Nesta segunda-feira, a especial número dois do Dakar 2026 teve 400 km de extensão, com pelo menos 200 quilômetros de pedras para amassar. Fiquei no final da especial, ao lado do posto de cronometragem, e vi muitas equipes passarem com problemas.
Mattias Ekström, que pilota um Ford, reclamou das três vezes em que teve de trocar pneus. O mesmo aconteceu com outros sete dos primeiros colocados que terminaram a especial, incluindo o brasileiro Lucas Moraes.
O piloto da equipe Dacia partiu de uma boa posição, já encontrando algumas referências no piso do trajeto, mas nem isso o impediu de encontrar pedras extremamente afiadas. Foram dois furos, acompanhados por um erro de navegação e ainda um problema técnico na parte dianteira do carro. Lucas cruzou o cronômetro com o tempo total de 4 horas, 10 minutos e 55 segundos, na vigésima colocação.
“A gente sabia que essa especial ia ser muito difícil. Infelizmente, ela nos pegou. A gente só está começando, vamos tentar de novo amanhã”, disse ele, visivelmente desapontado. Lucas está agora em décimo terceiro na classificação geral.
Amanhã é a terceira especial, e ela promete ser ainda mais dura. Serão 244 km de deslocamentos e 422 km de especial cronometrada. O líder da classificação geral, Nasser Al-Attiah, disse que hoje era o dia para não errar, porque esta etapa longa no entorno de Al Ula deve trazer os maiores desafios dessa primeira semana da prova.
O vencedor da etapa foi o norte-americano da Toyota, Seth Quintero, com o sul-africano Henk Lategan em segundo e o vencedor do ano passado, Yazeed Al Rajhi, em terceiro.
Nas motos, os pilotos da KTM Edgar Canet, da Espanha, e Daniel Sanders, australiano vencedor do ano passado, fecharam a etapa disputando a ponta, com algum prejuízo para o jovem Edgar, que caiu duas vezes. Daniel ficou à frente e assumiu a liderança na classificação geral da prova.
A região montanhosa de Al Ula fica a quase 700 metros acima do nível do mar, e no verão a temperatura média chega a 47 graus. Durante a passagem do Dakar, foi possível aproveitar máximas de 29 graus durante o dia e mínimas em torno de cinco graus durante a noite. Raiz.
*O jornalista Celso Miranda viajou a convite da organização do Rally Dakar.






