Lendo em alguns sites ao redor da internet percebo que há pilotos considerados favoritos para vencer o Rally Dakar deste 2026. Um tanto de ousadia dos que escrevem, considero. Afinal, um rally que tem quatro mil e novecentos quilômetros de percurso contrarrelógio e perto de oito mil quilômetros de deslocamento total deveria ser visto como o que ele é essencialmente: imprevisível. Mas entendo a necessidade para “vender” a imagem de alguns dos grandes campeões que a prova recebe mais uma vez nesta edição. Assim, o espanhol Carlos Sainz (pai do piloto da Williams na Fórmula 1), o catariano Nasser Al Attiah e o vencedor da prova no ano passado, o saudita Yassed Al Rajhi, estão na lista. Cada um deles participa da prova em equipes muito estruturadas e aceleram máquinas de primeira linha. Outro nome bem contado é o do francês Sébastian Loeb, nove vezes campeão do mundo do WRC (rally de velocidade), sempre a bordo de excelentes máquinas, já liderou várias vezes, foi segundo colocado no ano passado, mas ainda não venceu.
Esses favoritos estão na lista de apostadores no mundo todo, o que é uma tentação com tantas bancas de apostas no planeta hoje em dia. Mas acho qualquer palpite arriscado. Demais.
Porque se há um esporte imprevisível este é o rally. Pior ainda quando se trata do Dakar.
No Prólogo, disputado neste sábado, 4, o trecho cronometrado de apenas 22km foi percorrido em 10min48s pelo sueco Mathias Ekstrom à bordo de um Ford. Ele já venceu campeonatos na DTM, corridas de asfalto, e tem experiência de vencer especiais em outras edições do Dakar, onde ele mesmo se considera pouco experiente. Está na lista de favoritos? Acho que sim.
O brasileiro Lucas Moraes – que está começando sua parceria com a equipe Dacia e com o navegador Denis Zenz – abriu o Prólogo e fez o tempo de 11min22s. No primeiro dia de prova, ele será o oitavo a entrar na especial. Favorito? O atual campeão mundial de Rally Raid está apenas em sua QUARTA participação no Dakar. Mas foi terceiro na prova em sua estreia.
“É sempre mais difícil ser o primeiro carro quando chega no deserto aberto, onde tem poucas marcas para tentar entender o caminho. Então o maior tempo que a gente perdeu foi nas partes rápidas. Já nas partes lentas, conseguimos ganhar tempo, o que foi essencial para uma posição de largada amanhã”, analisou Lucas.
“Estou muito feliz com o carro, o carro foi muito bem. Ainda preciso entender mais o limite, das reações do carro em alguns momentos, mas foi um ótimo início. Estamos muito animados para amanhã”, afirmou o piloto.
*O jornalista Celso Miranda viajou a convite da organização do Rally Dakar






