“Vou sair para descansar a cabeça e deixar alguns gênios da internet continuar falando de futebol, já que entendem para caramba”.
Estas foram as últimas palavras de Renato Portaluppi como treinador do Fluminense. Depois disso, a entrevista coletiva após o empate com o Lanús e desclassificação da Sul-Americana acabou e minutos depois o clube emitiu comunicado oficial anunciando a saída do treinador.
Renato chegou no seu limite contra quem ele classifica como “gênios da internet”. Fato que nos últimos tempos a relação dele com os críticos foi se deteriorando a olhos vistos. Avaliações negativas de um lado, respostas irônicas em coletivas do outro, violência de um lado, ironias e arrogância como respostas. O fim chegou.
Renato tem responsabilidade (muita) pela queda do Fluminense da Copa do Sul-Americana mas também é mais uma vítima da virulência das redes
sociais. Na cobertura esportiva, não existe mais uma linha que separe o palpiteiro violento de quem analisa o futebol com informação e análises mais concretas (mesmo que negativas em certos momentos). Na visão geral e dele, todos estão no mesmo balaio, quando na verdade coexistem em um mesmo ecossistema, mas se diferenciam muito entre si.
Não necessariamente apenas os “gênios da internet” viram as escolhas erradas de Renato, a falta de oportunidade para alguns jogadores, a insistência com outros e, particularmente no jogo desta terça, como suas substituições permitiram o crescimento e o empate do Lanús.
Quando Renato pede demissão e deixa o Flu em situação bem delicada na temporada, ele aponta que os culpados são aqueles que estão na frente de um computador analisando seu trabalho (e muitas vezes com avaliações violentas e exageradas). Como sempre, não olha para si mesmo e enxerga seus próprios erros.
Da mesma forma como foi elogiado pelo seu trabalho muito bom na Copa do Mundo de Clubes no meio do ano, ele agora foi criticado e jogou a toalha. Naquela ocasião, também “gênios da internet” elogiaram. Para Renato, estava tudo bem.
O grande derrotado imediato parece ser o Fluminense, que precisará juntar os cacos e arrumar um novo treinador, que enfrentará os mesmos problemas: elenco bom, mas com limitações e “gênios da internet” em ação.
*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do BandSports.






