Hoje eu conheci o Reinaldo. Reinaldo de Araújo. Ele trabalha com segurança patrimonial e usa a moto como meio de transporte. Mas também está pensando em ampliar a renda da família trabalhando com logística.
O Reinaldo ganhou um capacete Norisk quando circulava pela cidade de Jundiaí, a 50 km de São Paulo, pilotando sua Yamaha da maneira correta. Simples, eficiente, seguro, atento aos movimentos ao redor e às regras de trânsito. Sem correria.
Reinaldo ganhou porque eu vi, gravei, registrei e o levei até a revenda Mila Moto, de Jundiaí, que ofereceu esse brinde: o capacete produzido pela BR Motorsport, dona da marca Norisk.
Reinaldo não estava competindo, mas ficou na frente de pelo menos uma centena de motociclistas com os quais me deparei ao longo de uma hora circulando pela cidade. Atrás dele ficaram centenas que não fecham a viseira do capacete quando estão em movimento; que circulam com a lanterna queimada — um perigo em qualquer horário, mas ainda pior agora, no mês de maio, quando o sol se põe depois das cinco e meia da tarde e só aparece às sete da manhã seguinte.
Outros tantos circulavam em velocidade acima da permitida; outros avançavam o sinal vermelho, paravam sobre a faixa de pedestres e, mais frequentemente, trocavam de faixa e faziam conversões sem dar seta.
O Maio Amarelo é um programa nacional que pede atenção à segurança viária. Por isso eu criei essa ação, que já teve vários nomes, mas que eu mesmo batizei de “Você Merece”, em 2011, e que mais recentemente virou Resposa.
Estou falando do Reinaldo, do Responsa e de trânsito porque nada disso tem a ver com corridas. Corridas de moto ou carro acontecem em autódromos, onde todas as precauções são tomadas para proporcionar mais segurança aos praticantes do esporte a motor. Nas ruas, a segurança nasce da consciência das pessoas em relação ao que estão fazendo. Todos estamos ali e deveríamos cuidar de nós mesmos e de quem está à nossa volta.
Tem gente que pensa que nas pistas é muito diferente. Na verdade, não é.
MotoGP, Le Mans, França
Numa corrida de MotoGP, os pilotos fazem parte de uma mesma comunidade. Todos ali buscam a melhor performance no circuito para fechar uma volta à frente dos demais. O objetivo é comum: vencer o outro.
Mas, mesmo querendo ultrapassar, os melhores sempre buscam entender o adversário, calcular suas reações, perceber seus erros. Tudo isso enquanto aceleram suas motos ao máximo em cada ponto do circuito.
Eles estão atentos ao ambiente ao redor. Os melhores, claro. Os outros só aceleram — mas mesmo estes precisam saber passar. Mas isso é outro papo.
Em Le Mans vimos a vitória do espanhol Jorge Martín, da equipe Aprilia, que passou seu companheiro de equipe, Marco Bezzecchi, nas voltas finais. Tanto Martín quanto Bezzecchi sabiam ter as motos mais rápidas e, por isso, estavam atentos ao desenrolar da competição.
Em cada uma das 23 voltas, eles recebiam mensagens dos boxes informando tempo de volta e distância dos adversários. Numa moto de competição, ao contrário das motos de rua, não existem retrovisores, porque o objetivo é ir sempre à frente.
Martín começou a corrida em sétimo e ultrapassou seis pilotos para vencer. Bezzecchi saiu em segundo e liderava quando “perdeu” a disputa para Martín. Os dois agora disputam o título da MotoGP, com a sensação de que ninguém mais pode alcançá-los, apesar de ainda termos muitas corridas pela frente.
Reparem que o número de variáveis com as quais eles tiveram de lidar não era tão grande quanto o que Reinaldo enfrentava circulando de moto pelas ruas de Jundiaí.
Carros, caminhões e ônibus. Bicicletas e pedestres. Semáforos, faixas, radares e as próprias limitações — da moto e da sua formação como motociclista.
Porque, se Martín, Bezzecchi e os outros vinte pilotos que estavam na pista de Le Mans são campeões renomados em diversas categorias até chegarem ali, nas ruas basta uma habilitação que, sabemos, não é exatamente uma grande prova de habilidade. Nem de bom senso.
Cuidado é pouco.
Reinaldo hoje saiu com um troféu e seguirá sendo campeão enquanto continuar conduzindo sua moto com o máximo de cuidado e atenção ao tráfego ao redor.
Já os pilotos da Aprilia vão de etapa em etapa da MotoGP até novembro para descobrir quem é o melhor. Neste final de semana tem corrida em Barcelona, mas eu te convido a acompanhar o Mundial de Superbike no BandSports.
Lá tem a categoria Sportbike, onde Humberto Maier, brasileiro de 19 anos, busca marcar pontos entre os mais de trinta pilotos com quem compete.
Maier é uma esperança brasileira no motociclismo, assim como Diogo Moreira, que marcou pontos em Le Mans no sábado, mas caiu na corrida de domingo.
Vivendo e aprendendo.
Todos felizes debaixo do capacete.
*Por Celso Miranda




