Na manhã de quarta-feira, neste mesmo espaço, o leitor encontrou um texto em que era mostrada a distância que separa Flamengo e São Paulo atualmente. Duas camisas igualmente pesadas e importantes, mas com um abismo entre os clubes. À noite, os dois times se enfrentaram no Morumbi pela primeira rodada do Campeonato Brasileiro.
Mas em campo a distância abissal ficou minúscula e o São Paulo conseguiu uma vitória gigante, de virada: 2 a 1. Isso se chama futebol e este colunista por muitas vezes não leva este pequeno grande detalhe em conta.
Fato é que o São Paulo, esmigalhado por escândalos de corrupção e atolado em dívidas, mostrou o tamanho e o peso de sua camisa, capaz de não se intimidar diante do atual melhor time do continente.
Mas, para além da mística, houve futebol e alma em campo. Primeiramente, Hernán Crespo, que escorregou feio na escalação e substituições diante da Portuguesa no Paulista, nesta quarta acertou tudo. Desde a formação inicial, passando pela estratégia e terminando na maneira com que fez as trocas apenas quando o time estava esgotado fisicamente, mas sem mudar o esquema.
Teve Luciano, o jogador mais injustiçado que vestiu a camisa são-paulina nos últimos anos. Fez mais um gol importante, o de empate e iniciou a jogada do gol da virada. Ele ainda tem números de destaque no clube, como ser o quarto jogador que mais abriu o placar para o São Paulo no século 21. Nesta quarta, fez o seu oitavo gol contra o Flamengo, sua maior vítima.
A distância atual entre os dois clubes segue a mesma, mas o que se viu nesta quarta-feira no Morumbi foi futebol e uma camisa pesadíssima, capaz de sustentar um gigante em estado de coma.
Dito isto, o que mais se ouviu nas arquibancadas depois da partida foi: “faltam 42 pontos”.
*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do BandSports.






